Ondas
Publicado por JRC em Agosto 27, 2008
Às vezes podem-me perguntar: “Olha, e o mar, como está?”
E por vezes fico feliz por não saber. Outras, sei… Pior, sei e já lá estive… E estava mau. Sou óbviamente forçado a mentir e dizer que não sei, nem vi.
Hoje não. Hoje foi de encher o bandulho. Foi terapêutico. Muitos colocarão a questão: “Mas como pode ser terapêutico, levar uma tareia de uma massa de água? Como pode ser terapêutico remar contra a corrente e lutar para entrar numa onda, para colocar o nosso precioso corpo no limite instável entre um deslizar rápido e um impacto violento? Rebolar embrulhado na espuma sabendo que a próxima golfada de oxigénio poderá demorar mais ou menos a chegar conforme a disposição do mar?”
Respondo eu: “É terapêutico porque somos pequenos e por vezes temos tendência para o esquecer. E poucas são as coisas que nos fazem cair na realidade. São essas poucas coisas que de nós querem nada. Para a natureza somos tão insignificantes (passe a personalização) que nem vale a pena fingir. Basta sermos confortavelmente pequenos e fracos. Mas apenas o suficiente para sobreviver.”